Cuidar de quem cuida da gente.

Share
03-07-2015

No futuro teremos mais guerras pelo uso da água e por alimentos do que temos agora por territórios e energia, visto o grande crescimento da população mundial.

horta

O consumo da população mundial excede em 20% a capacidade de renovação dos recursos naturais de nosso planeta. É preciso que se tome medidas que restaurem o equilíbrio entre o consumo e a renovação dos nossos recursos naturais. Surgem, no mundo inteiro, movimentos para minimizar a dívida ecológica que já é bem grande. Um desses movimentos é o surgimento da agricultura urbana.

Fenômeno que já vem desde a metade século XIX nos países do norte da Europa e em alguns países como na Dinamarca, desde o século XVIII. Quem já passeou na Europa, com certeza reparou que em qualquer cantinho tem sempre alguém cuidando de sua hortinha, seja no jardim, num canteirinho ou num vasinho.

Desde muito cedo, ainda brincando de panelinha, adorava espremer as folhas e retirar a clorofila, aquele caldinho verde que fingia ser sopinha, as flores, com suas cores, e misturar a terra na água para fazer café com leite. Morei em casa durante a infância e tive a oportunidade de ter contato com o jardim e de ter animaizinhos de estimação, cachorros, gatos (tive 8), porquinho da Índia, mico, pintinhos… Aprendi a cuidar e a gostar de animais e vegetais.

Nos últimos anos, vou para Angra, onde relaxo e reponho as minhas energias para o trabalho. Digo que Ir a Angra é bom até com sol. Lá tenho a oportunidade de, ao brincar de jardinagem, conhecer cada planta que tem no meu jardim, voltar a sentir o cheiro do mato quando chove e continuar, no fundo, o meu trabalho como nutricionista.

Assim como nós, as plantas precisam de cuidados. Alimentar a terra para que a planta se alimente bem e fique saudável, tratar das pragas, hidratá-la, defendê-las do excesso de sol ou mesmo da chuva. Cada planta tem o seu lugar no jardim. No meio tenho touceiras de alecrins, espalhados, tufos de capim limão para um chá e uma horta fechada com tela, no pé do morro, fechada porque o pavão também adora quiabo e couve. Lá tenho um pomar com mais de 40 árvores frutíferas e até um pé de louro. Aos poucos fui aprendendo a evitar pragas com remédios naturais, a podar e a equilibrar a terra. Conheço cada alface, cada bromélia, cada coqueiro. Também como ovos orgânicos pois minhas galinhas ficam soltas e ciscam a terra, convivem juntos coelhos, patos, pavão e pássaros, além de 3 cachorros.

Na macrobiótica se diz que todos os alimentos querem fazer parte do homem por sermos os mais evoluídos. Cabe a nós escolhermos quem merece fazer parte do nosso universo. Plantar uma horta é isso: cuidar de quem vai cuidar da gente. É uma experiência muito prazerosa que integra o ser humano com seu meio ambiente.

***

A contaminação ambiental é muito grande em todo o planeta. No ar, na água, na terra e até nos animais criados para nos alimentar, o que compromete nossas gerações futuras. Segundo pesquisas, se o comprometimento ambiental continuar nesse ritmo, é bem provável que nossos filhos e netos vivam menos e com menos saúde que nossos pais, avós e nós mesmos.

Nos últimos anos, elas vêm surgindo em vários contextos, beira de estrada, projetos municipais e ONGS.

Em São Paulo, o shopping Eldorado cria sua horta urbana usando o telhado do prédio. Com seus 1.000 metros quadrados, aproveita de 600 kg diários de resíduos da praça de alimentação e da poda dos jardins do shopping, que são preparados para o plantio em uma composteira no subsolo do prédio. Assim, produz-se o substrato natural que aduba alfaces, quiabos, camomilas, tomates, cidreiras e outras plantas que, uma vez colhidas, são distribuídas aos funcionários das lojas. A Bio Ideias desenvolveu duas enzimas que aceleram o tempo de compostagem e a eliminação de odores. Inicialmente o composto foi doado para hortas comunitárias e, em 2012, começou a implantação da horta no próprio telhado.

O Coletivo de “Hortelões Urbanos” da cidade de São Paulo entregou à Prefeitura de São Paulo uma carta reivindicando que hortas comunitárias sejam implementadas em cada bairro, escola, parque e postos de saúde.

Muitas empresas de paisagismo incluem em seu portfolio projetos apelidados de “foodscape”, em que inserem o cultivo agrícola em jardins, parques municipais, condomínios e telhados de estacionamentos gigantes. Em São Francisco, na Califórnia, a prefeitura mudou os regulamentos de zoneamento, a fim de permitir o cultivo local de alimentos, e criou o sistema de compostagem municipal, transformando resíduos orgânicos em insumo para as hortas públicas.

Interessante também é a matéria publicada pelo The Wall Street Journal sobre sustentabilidade no qual conta que na Suécia está sendo construído um prédio triangular com 12 andares onde as plantas serão transportadas em trilhos do andar superior até o inferior, aproveitando a luz solar e facilitando a colheita. Em Chicago, existe um frigorífico onde as hortaliças são cultivadas em balsas flutuantes, alimentadas por resíduos de tanques de peixes das redondezas e muitas propriedades rurais em diversos lugares nos Estados Unidos onde as plantas ficam suspensas no ar e as raízes são borrifadas com nutrientes, dispensando o uso de terra e tanques de água.

É claro que todo esse movimento ainda está longe de solucionar os problemas da falta de alimentos e a dívida ecológica no mundo, mas sem dúvida podemos participar para o desenvolvimento sustentável criando nossa própria horta. Você pode começar em casa, mesmo no apartamento, se não tiver um terreno ou um jardim.

- Benefícios que uma horta em casa pode proporcionar:

- Produtos frescos e mais saudáveis, pois tem mais vitaminas e sais minerais e não possuem poluentes químicos. Nosso organismo agradece, pois fica mais resistente a doenças e alergias

- Terapia mental, bom escape para o estresse diário.

- É mais barato e economiza tempo de ter que sair para comprar

- Para as crianças é um grande incentivo para o consumo de vegetais, pois ela passa a participar do processo vendo a planta crescer. Além do incentivo ao consumo, ensina a respeitar a natureza. Tem criança que pensa que laranja nasce no supermercado.

- O ambiente se torna um local mais aconchegante na presença de plantas.

- Uma comparação entre a agricultura convencional e a orgânica:

( Matéria da página EcoCÂMARA )

 

CONVENCIONAL

 

ORGÂNICA

  1. Uso intensivo de adubos químicos e agrotóxicos, pois as plantas selecionadas para altos rendimentos requerem altas doses destes produtos.
  2. A monocultura aliada à exigência de grandes escalas de produção.
  3. A criação de espécies de pragas e doenças resistentes, e a eliminação de seus inimigos naturais
  4. A degradação do solo e a contaminação de cursos d’água por práticas equivocadas: monocultura, uso intensivo de máquinas e implementos agrícolas, baixa cobertura do solo, entre outras
  5. A alta dependência externa de insumos e de energia não renovável
  6. A contaminação de trabalhadores rurais e consumidores por usos indevidos de agrotóxicos e aditivos químicos
  1. Uso de adubos orgânicos (composto, esterco, adubo verde) e controle alternativo de pragas e doenças
  2. Produção mais diversificada, aumento da biodiversidade
  3. Manejo ecológico das pragas e doenças
  4. Uso de práticas conservacionistas do solo e preservação ambiental
  5. Busca a autosustentabilidade dos sistemas de produção
  6. Produção de alimentos livres de contaminação por agrotóxicos: mais saúde para o trabalhador rural e para o consumidor

                                                                                       

- Para quem quer começar:

  1. Vai devagar. Crie uma horta pequena.
  2. Existem vários blogs, cursos e vídeos educativos. Se informe primeiro.

Dica: procure na internet “Hortelões urbanos” da cidade de São Paulo. Atualmente, mais de 4.000 pessoas interessadas trocam experiências de hortas domésticas.

  1. Procure saber quanto tempo vai precisar para cuidar de sua horta.
  2. Avalie o espaço disponível, se há sol suficiente e a organização do espaço.

Qualquer espaço pequeno que possua uma terra adubada e tenha luz e água. Em caso de apartamentos, optar por horta vertical, usando canos de PVC ou PETs que fiquem em suportes fixos na parede. Pode ser usado também vasos ou jardineiras penduradas em treliças, fica bem decorativo.

 

horta-organica

  1. Inicialmente, você pode comprar sementes e o material necessário em lojas de materiais de agricultura.
  1. Comece com plantas mais fáceis de cultivo, como: salsa e cebolinha, coentro, alecrim, manjericão, hortelã, erva cidreira, pimentas, tomate cereja, rúcula.
  1. Regar com frequência, adubar periodicamente e observar a presença de pragas.
  2. As pragas devem ter controle orgânico. Pode se usar misturas de alho, pimenta e sabão de coco, hortelã. O que a gente não gosta de comer os insetos também não. O surgimento de pragas significa que as plantas estão fracas e mal nutridas, ou seja, se forem bem cuidadas é mais difícil que elas apareçam.
  3. O adubo pode ser feito com material composto de sua própria composteira caseira, assim você também utiliza material orgânico, levando menos lixo para o ambiente. Como exemplo são as sobras de verduras, frutas e legumes, cascas de ovos, pó de café e saquinhos de chá
  4. De vez em quando revolva a terra para garantir a drenagem de água e cobrir o pé da planta.
  5. Retire as folhas secas ou doentes e os matinhos para que eles não roubem nutrientes da hortaliça.
  6. Procure saber como tratar cada hortaliça plantada. Cada uma terá uma necessidade de adubação, irrigação e plantio.

 

***

Matérias consultadas:


A Agricultura Urbana na cidade de Chicago
Publicado em 2013/03/10 por Clavis Prophetarum

Texto: Natália Costa (engenheira agrária e membro da Comissão da Manutenção da APEV – Associação Portuguesa de Espaços Verdes)

Artigo do parceiro:
“Como cultivar uma horta em casa”
Especialistas ensinam como cultivar seus próprios alimentos.

Por Isabela Zamboni – 19/11/2013

João Manuel Feijó, engenheiro agrônomo e diretor da Ecotelhado.

Alexandre Zebral – Paisagista técnico – IBRAP (Instituto Brasileiro de Paisagismo).

GuuhGreen é o primeiro estilista e personal organizer que se popularizou nas redes sociais e migrou para os meios de comunicação. É designer de interiores e colunista do jornal O Estado RJ.

Hortas urbanas: uma revolução gentil e orgânica
Camila Fróis – 25/07/13

Jornal de Hoje Cotidiano

Ortorexia: o que é?

Share
09-06-2015

E  quando a busca por uma alimentação saudável se torna uma doença? Como notar e o que fazer?
Fixação por comida saudável. A origem da palavra é grega, “orthós” significa correto e “orexsis”, fome. Foi cunhada pelo médico americano Steven Bratman, em 1997, no livro Health Food Junkies (“Viciados em Comida Saudável”).Pessoas ortorexicas usam informações verdadeiras de forma exagerada, deixando a dieta tomar conta de sua vida. Trata-se de mais uma desordem do comportamento alimentar, semelhante aos que sofrem de anorexia ou bulimia nervosa, exceto na parte em que os anoréticos e bulímicos estão preocupados com a quantidade de alimentos consumidos, enquanto estes estão mais preocupados com a qualidade deles.Não há ainda um tratamento específico para o quadro, mas indica-se terapia nutricional e psicoterapia para que a pessoa desmistifique conceitos sobre “dieta saudável”.Fruto talvez do bombardeamento de informações acerca do que é “bom” e do que é “mau” para todos a toda a hora, pode criar medos relacionados com a alimentação, acrescentando ainda mais complexidade às decisões que temos que tomar a respeito do que se deve comer, e uma relação cada vez mais neurótica entre os consumidores, da sociedade moderna ocidental, e a alimentação.
 Teste do Dr. Bratman para a Ortorexia
  • Passa mais do que 3h do dia pensando na sua dieta?
  • Planeja as suas refeições com vários dias de antecedência?
  • Considera o valor nutritivo dos alimentos mais importante do que o prazer que estes dão?
  • Reduziu a qualidade da sua vida à medida em que aumentou a qualidade da sua dieta?
  • Tem sido cada vez mais rigoroso consigo próprio durante este tempo?
  • Tem melhorado a sua autoestima por se alimentar de forma saudável?
  • Rejeita consumir alimentos que gostava de consumir por alimentos “bons”?
  • Nota que é difícil fazer refeições fora, distanciando-se da sua família e amigos?
  • Sente-se culpado quando foge da dieta?
  • Sente-se em paz consigo mesmo e acredita que tem total controle quando come de forma saudável?
Se respondeu afirmativamente entre 4 e 5 perguntas, significa que é necessário relaxar mais um pouco no que respeita à alimentação. Se respondeu afirmativamente a todas as questões, significa que tem uma obsessão pela alimentação saudável.
O interessante é que, apesar de ainda não se saber qual a prevalência deste distúrbio na população geral, alguns grupos foram apontados nos últimos trabalhos científicos e, pasmem, neles estão os atletas, esportistas, artistas, médicos e nutricionistas.Talvez porque sejam grupos que se normalmente preocupam muito com a performance e/ou com a saúde. Parece ser causada por motivações subjacentes, como o medo de ficar doente, compulsão por ter o controle completo de uma situação, desejo de ser magro, melhora da autoestima e até uma busca de espiritualidade através dos alimentos, usando também a alimentação como busca de identidade.Não há nada errado em ter hábitos alimentares saudáveis. Isto não significa ter ortorexia, a não ser que esteja ocupando muito tempo e atenção da sua vida, afastando você e o isolando das pessoas queridas.Como alcançar o equilíbrio correto para comer saudável, sem este se tornar uma obsessão? A chave sempre é a moderação. Nossa escolhas alimentares devem ser alteradas gradualmente e de forma motivadora, levando em conta as preferências e o estilo de vida do indivíduo. A alimentação deve ter efeitos positivos na saúde. O desfrutar da vida não deve afetar nossa relação com os outros.

Mais informações:

Detox – efetivo se feito corretamente!

Share
09-06-2015

Nutricionista esclarece questões acerca do assunto do momento: as dietas detox.
Exageros nos finais de semana, feriados, férias ou festas são bem comuns nos dias de hoje. Nossas vidas são cheias de eventos sociais e as comemorações regadas com bebidas alcóolicas e alimentos gordurosos nada saudáveis. Daí a necessidade que temos de dar um descanso para o organismo após um dia ou até períodos como esses. Sabe aquela faxina que de vez em quando a gente faz em casa? Jogamos um monte de lixo fora e depois dá uma sensação de limpeza e bem estar? Pois é, a detox é mais ou menos isso, mas a faxina é no seu corpo. É um processo de destoxificação do corpo.Afinal, não é só em ocasiões festivas que nos entoxicamos. As toxinas podem estar nas coisas aparentemente mais inofensivas: no leite e no pão, nos corantes de suco de caixinha, adoçantes dietéticos, carnes, e até naquilo que deveria ser saudável, como frutas, verduras e legumes tratados com agrotóxicos.

Mestre e doutor em Nutrição pela Unicamp e com Pós-Doutorado em Food Science pela Cornell University-NY, Luciano Bruno tem opinião formada sobre o detox: “Vejo o tempo todo as pessoas colocando coisas sobre detox. De repente o mundo ficou detox! (…) Existe verdade mas também sensacionalismo, temos que filtrar muito. Detox nada mais é que uma refeição/alimentação com alto teor de compostos bioativos, vitaminas (principalmente complexo B), minerais (especialmente o magnésio), carboidratos de baixo índice glicêmico, bom perfil de lipídios e proteínas de alto valor biológico e de rápida digestão e absorção.

(…) Não adianta fazer “detox” por um mês e depois voltar a fazer uma alimentação inadequada. Não existe “limpeza”, como muitos dizem por aí, e sim modulação do estresse oxidativo. Sou favorável a um plano alimentar com caráter detoxificante e não coisas temporárias. Me preocupo muito com essas detox restritivas que vejo por aí. Moderação é a palavra!”

E para quem serve?

Como trata-se de uma limpeza do organismo, as dietas e os sucos detox servem para todas as pessoas, mas trazem efeitos especialmente benéficos para quem não dorme bem, tem dores de cabeça, sofre de falta de energia ou simplesmente deseja emagrecer de forma saudável.Os sucos são super fáceis de fazer e podem ser tomados logo no café da manhã! A dieta já é mais complexa e deve ser elaborada junto a uma nutricionista.

E lembramos: a melhor dieta detox é parar de se intox!

Vivendo mais uma páscoa!

Share
09-06-2015

A maratona de datas festivas continua, e a dificuldade de manter a dieta aumenta. Veja algumas dicas para evitar excessos!

Mal começamos um novo ano e já ficamos completamente transtornados com tantos festejos, pois mal nos recuperamos das festas de fim de ano e saímos do Carnaval, aproxima-se a Páscoa. Para muitos pacientes pergunto: “como se sente com a chegada da data?”. Alguns dizem: “Sem problemas, pois não comemoro. Já não quero que me presenteiem com aqueles Ovos gigantes ou caixas intermináveis de bombons (SIC)”. Eu acabo retrucando, que a questão não é o Domingo de Páscoa em si, mas toda a desestabilização da rotina que acabou de ser recuperada, pois a semana acaba em plena quinta-feira e, com isso, muitos param de fazer seus exercícios e perdem o prumo no que diz respeito à alimentação diária. Muitos aproveitam para viajar, e assim entra-se numa nova “rave” de descontrole dos cuidados diários com a saúde…

De repente, me pego pensando: porque paramos de praticar nosso ritual diário de cuidados e nos entregamos completamente à “sorte de eventos” se não nos importamos com o real significado da celebração? Porque toda vez que se ouve a palavra Páscoa, a imagem que se materializa é a do chocolate, ou melhor, do Ovo de Páscoa?

Assim, a primeira coisa que fiz foi buscar o verdadeiro significado da Páscoa nas diferentes crenças religiosas, e para não cometer nenhum erro e muito menos parecer desrespeitosa, me limitarei a resumir que esta é uma data profundamente especial que relembra o sofrimento e celebra a ressurreição de Jesus Cristo e também celebra a libertação dos Hebreus que viviam escravizados no Egito.

E de onde apareceram os Ovos de Páscoa? Presentear as pessoas com ovos é um costume antigo, comum entre os povos que habitavam a região do Mediterrâneo, do Leste Europeu e do Oriente. Durante as festividades realizadas com a chegada da Primavera, depois do Inverno, os ovos eram cozidos e pintados com desenhos, lembrando as plantações que tinham início nesse período. A esperança de fertilidade do solo e de abundantes colheitas eram representadas com a troca de ovos coloridos. Com o passar do tempo, o ovo de chocolate entrou para as tradições do período das festas da Semana Santa, e dar de presente um ovo de páscoa de chocolate no domingo da Ressurreição virou costume. Acredita-se que a tradição do ovo de chocolate surgiu depois do século XVIII, sendo uma invenção de confeiteiros franceses. Outra teoria afirma que os ovos de Páscoa ficaram mais populares com a revolução da indústria do chocolate, que aconteceu na Inglaterra, no século XIX.

Tudo isso me fez pensar em tradições. Tradição é uma palavra com origem no termo em latim traditio, que significa “entregar” ou “passar adiante”. A tradição é a transmissão de costumes, comportamentos, memórias, rumores, crenças, lendas, para pessoas de uma comunidade, sendo que os elementos transmitidos passam a fazer parte da cultura. Para que algo se estabeleça como tradição e o hábito seja criado é necessário bastante tempo. Diferentes culturas e mesmo diferentes famílias possuem tradições distintas. Algumas celebrações e festas (religiosas ou não) fazem parte da tradição de uma sociedade. Muitas vezes certos indivíduos seguem uma determinada tradição sem sequer pensarem no verdadeiro significado da tradição em questão. E é neste ponto que damos a nossa dica mais preciosa: mesmo que você participe das festividades sem saber o real significado, não se perca de você! Nutra seu corpo e sua alma! Compartilhe da alegria do encontro, dos alimentos, bebidas e refeições preparadas, mas não se alimente como se fosse a sua última ceia!

Estabeleça seus limites e respeite-os. Lembre-se: Nutrição é Renovação Celular, Nutrição é Vida!

Nossas dicas para passar por mais uma Páscoa:

- Almoço de páscoa:

– Use e abuse de saladas, com verduras e legumes, crus, cozidos ou refogados. Utilize temperos saudáveis, como: cebola, alho, ervas aromáticas, limão vinagre de maçã e azeite de oliva.

– Na hora de escolher o tipo de carne, não pense duas vezes: opte pelo peixe. Além de suas propriedades nutricionais, possui melhor digestibilidade e combina muito com este dia especial. Opte por preparar assado, grelhado ou cozido.

– Os acompanhamentos podem ser variados. Dependendo do tipo de carne, sugerimos arroz, cuscuz, legumes e/ou verduras, quinoa, ou seja, tudo que sua criatividade permitir! Mas assim como a carne, as preparações devem ser refogadas, grelhadas, assadas ou cozidas. Evite as frituras!

– Não exagere na quantidade, pois provavelmente haverá a sobremesa!

- Chocolate:

Não é preciso deixar de comer chocolate. Você pode saboreá-lo… Se for consumido em quantidade moderada, o chocolate pode trazer benefícios, pois o cacau, que deve ser o primeiro componente da lista de ingredientes, possui substâncias antioxidantes, como os flavonoides e o ácido esteárico, uma gordura que, comprovadamente, já mostrou benefícios inclusive na redução da pressão arterial.

– Opte pelo chocolate com no mínimo 70% de cacau, ao invés do chocolate ao leite ou branco. Se escolher ou ganhar um recheado que seja com amendoim, castanha de caju, avelãs ou outro “nut”. Apesar de mais calóricos, contém menos açúcar que as versões ao leite ou branco, e ainda agregam o valor nutricional das gorduras essenciais ao equilíbrio do metabolismo.

– A quantidade é o segredo! Não exagere, consuma 1 pedaço pequeno, sempre como sobremesa. Não se alimente do chocolate!

– Ganhou muitos Ovos ou bombons, faça uma boa ação: divida o chocolate com seus amigos, distribua para crianças, evitando assim todo e qualquer excesso.

Feliz Páscoa!!!
Malu

Receita de Suco Verde

Share
19-05-2015

Suco verde, personagem já famoso, e não é a toa! Dá um trabalhinho pra fazer, mas vale a pena!

- Ingredientes:

  • 2 folhas grandes de couve
  • 3 folhas de hortelã
  • 1 maçã pequena c/ casca
  • 1 fatia grossa de batata Yakon c/ casca
  • 1 falange de gengibre
  • 200ml de água
  • Suco de meio limão

- Modo de preparo:

Quem não tem centrífuga pode usar liquidificador, mas lembre-se: os sucos podem ser ricos em vitaminas, minerais e substâncias destoxificantes e alcalinizantes, mas não possuem fibras, portanto não substituem aquela salada crua ou alguma refeição.

Não dá pra ir ao supermercado todo dia? Congele em cubinhos e bata no liquidificador com um pouco de líquido.
O ideal é que seja consumido logo ao acordar. Sempre é melhor usar hortaliças orgânicas que não possuem sustâncias tóxicas ao organismo.

A couve é um vegetal rico em clorofila, que também está presente em todos os vegetais verdes. Ela possui cálcio, fósforo, ferro, potássio, sódio, manganês, magnésio e ácido fólico. Além de todos os minerais, que são importantes para os ossos, dentes e sangue, possui ainda vitamina A, um flavonoide natural, B e C, excelentes no tratamento de doenças, pois reforçam nosso sistema imune e auxiliam na drenagem de líquidos do organismo

Pode estar associado a outras hortaliças verdes como hortelã, couve chinesa, repolho, salsinha, couve, espinafre, rúcula, agrião, salsão, aipo, couve de bruxelas, capim cidreira e tantos outros, de acordo com a criatividade de cada um.

Para um efeito termogênico e antiinflamatório, usamos a pimenta vermelha e o gengibre.

Frutas variadas como maçã, abacaxi, melão, laranja, suco de limão, damasco, ameixas secas e frutas vermelhas  também são bem vindas pelas suas propriedades. Outras hortaliças muito usadas são a beterraba, cenoura, abobrinha, pepino e brotos germinados, que auxiliam na eliminação de resíduos e toxinas acumuladas no organismo. Inhame, nabo e a batata Yacon, que é excelente para controle da glicemia (açúcar no sangue) e um prebiótico natural, também servem.

É bem vindo também a associação de chia e linhaça, ricas em Omega 3.
Em vez de água, podemos usar água de coco e chá verde.

Você mesmo pode fazer a sua receita, tendo como base folhas verdes (pelo menos 2 tipos), frutas (também 2 tipos), outras hortaliças variadas, farinhas ou sementes antioxidantes. Só cuidado para não ficar muito calórico!

Desfrute e crie, porque comer bem, faz bem.

Diabetes

Share
24-11-2014

Estão cada vez mais raras as histórias familiares em que não há um parente diabético. No ano passado, em nosso blog, disponibilizamos um artigo sobre o Diabetes. Começamos falando em números, já que, quando sabemos um pouco mais sobre valores, muitas vezes lanternas de atenção se acendem. Por isso, só para recapitular, os dados mais recentes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) apontam que o número de pacientes com diabetes no Brasil é de 12.054.827, ou seja, 6% da população é diabética. No mundo, a situação é a seguinte: o diabetes está se tornando a epidemia do século e já afeta cerca de 246 milhões de pessoas em todo o planeta. Até 2025, a previsão é de que esse número chegue a 380 milhões. Estima-se que boa parte das pessoas que tem diabetes, doença que pode atingir crianças e adultos de qualquer idade, desconhece a sua própria condição!  E a tendência, lamentavelmente, é piorar.

Para ficar claro, o Diabetes é a elevação da taxa de glicose no sangue acima de seus níveis normais. É importante dizer que a glicose é nossa principal fonte de energia! Nosso cérebro vive basicamente dela. Esta elevação (também chamada hiperglicemia) ocorre porque a glicose não foi utilizada pelas células. E, neste caso, existem 3 condições para que isso aconteça, por isso temos 3 tipos distintos de diabetes:

Diabetes Tipo 1  Também conhecida como Diabetes Infantojuvenil ou Insulinodependente ou imunomediada. Neste caso, o pâncreas (órgão produtor de insulina) não secreta quantidade suficiente de insulina, porque as células pancreáticas sofrem uma destruição autoimune (o próprio organismo ataca as células). Para este tipo de diabetes só é possível viver com doses diárias de insulina injetável, buscando a normalização da glicose sanguínea. Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais comum em crianças, adolescentes ou adultos jovens.

Diabetes Tipo 2 Conhecida como diabetes do adulto ou diabetes não-insulinodependente, é a que acomete cerca de 90% dos casos. Até uma década atrás era mais comum em pessoas obesas com mais de 40 anos, mas hoje é bastante frequente entre jovens obesos, justamente pelos maus hábitos alimentares, sedentarismo e estresse urbano. Neste caso, o pâncreas produz a insulina, mas, em função da obesidade, ela não consegue atuar. Por isso é também conhecida como Resistência Insulínica. Por ser assintomática, pode seguir anos sem um diagnóstico correto e por isso não ser devidamente tratada, o que pode acarretar sérias complicações para o cérebro e para o coração.

Diabetes Gestacional Pode acontecer durante a gestação, especialmente a partir da 24ª semana, principalmente em mulheres que apresentam idade materna mais avançada, ganho de peso excessivo durante a gestação, sobrepeso ou obesidade, síndrome dos ovários policísticos, história prévia de bebês grandes (mais de 4 kg) ou de diabetes gestacional, história familiar de diabetes em parentes de 1º grau, história de diabetes gestacional na mãe da gestante, hipertensão arterial sistêmica na gestação ou gestação múltipla (gravidez de gêmeos). Isso ocorre porque são feitas diversas adaptações hormonais para permitir o desenvolvimento do bebê e a placenta produz uma série de hormônios que reduzem a atividade da insulina. Muitas mulheres não conseguem compensar isso, pois não produzem maiores quantidades de insulina. Em alguns casos, quando não há controle dietético e a prática regular de atividade física, a gestante pode receber terapia com aplicação de insulina. Seis semanas após o parto a gestante deve se submeter a um novo teste oral de tolerância à glicose sem o uso de qualquer medicação antidiabética. Sua glicemia pode retornar ao normal logo após o parto, especialmente se houver aleitamento materno. Os riscos para o desenvolvimento de uma diabetes do tipo 2 podem ser significativamente reduzidos com bons hábitos alimentares e com a prática regular de exercícios.

Na diabetes gestacional, o maior problema fica para o bebê, pois, quando ele é exposto a uma quantidade excessiva de glicose, ainda no ambiente intra-uterino, há maior risco de crescimento fetal excessivo (macrossomia fetal) e, consequentemente, partos traumáticos, hipoglicemia ao nascer e até de obesidade e diabetes na vida adulta.

Tipicamente, o diabetes é uma doença pouco sintomática e metade dos diabéticos acabam ignorando sua real condição, porém ter um diagnóstico precoce evita e muito suas diversas complicações. Os principais sintomas que aparecem são:

  • Urinar excessivamente, inclusive acordar várias vezes à noite para urinar;
  • Sede excessiva;
  • Aumento do apetite;
  • Perda de peso – Em pessoas obesas, a perda de peso ocorre mesmo comendo de maneira excessiva;
  • Cansaço;
  • Vista embaçada ou turvação visual;
  • Infecções frequentes, sendo as de pele as mais comuns.

Com um detalhe: No diabetes tipo 2, estes sintomas, quando aparecem, vem de forma gradativa e por isso podem passar de forma desapercebida. Já no diabetes tipo 1, estes sintomas, especialmente a urina, fome excessiva e rápida perda de peso, aparecem de forma tão aguda que se o diagnóstico não for feito de forma rápida a pessoa pode entrar em estado de coma, conhecido como coma diabético.

Como o diabetes é a hiperglicemia, muitos devem achar que basta cortar açúcar, doces, balas, guloseimas e está tudo certo, mas isso só não basta! Para os que tem diabetes tipo 1 então, com recursos cada vez mais sofisticados, com insulinas com tempos de ação diferentes (rápidas, lentas…), não basta tomar sua aplicação de insulina e cortar doces. Em qualquer um dos três tipos de diabetes há que se praticar atividade física regularmente de 4 a 5 dias na semana no mínimo e equilibrar a alimentação.

É importante entender que quando a glicose fica no sangue e não entra nas células, as células morrem por falta de energia, e de alguma forma o sangue vai se transformando em um grande “melado”, que, ao circular por todo o corpo, vai adoecendo outras células.

A atividade física é fundamental porque só ela é capaz de estimular a entrada de glicose nas células musculares sem a ação da insulina!

Então, diabéticos: digam não ao sedentarismo!

Como o excesso de peso é uma das principais causas do diabetes tipo 2, reduzir e controlar o peso é primordial, e, neste sentido, a Nutrição é essencial, pois, através do equilíbrio alimentar, pode-se não só atingir um peso satisfatório, como também garantir a vitalidade das células. Especialmente ao evitar carboidratos refinados (farinha de trigo, arroz branco, biscoitos, pães, açúcar branco,…), gorduras saturadas (excesso de carnes, manteiga, laticínios integrais, embutidos, pele de frango) e misturas com grandes quantidades de alimentos ricos em carboidratos, como a clássica mistura: arroz, batata frita e farofa, passando a dar preferência a carnes magras, cereais integrais como arroz integral, farelo de aveia, quinoa e trigo sarraceno, e peixes (principalmente sardinha, salmão, linhaça e chia, pois estes são ricos em gorduras do tipo ômega 3, as quais são potenciais anti-inflamatórios naturais). O açúcar não é totalmente proibido, mas, se consumido, deve ser preferencialmente o demerara (o tipo cristal amarelado). Pode ainda usar adoçantes naturais como Xylitol, Maltitol e Palatinose, que são absorvidos e tem baixa ação estimulante sobre a insulina, mas tanto o açúcar quanto seus substitutos devem ser usados sob orientação de nutricionista ou médico especialista.

Aqui algumas dicas que podem ajudar:

  • Coma pequenas refeições com intervalos de 3/3horas – sim, não nos cansamos de dizer isso! Assim evitam-se quedas e elevações expressivas da glicemia (taxa de glicose no sangue);
  • Coma 3 porções de frutas frescas e diferentes ao longo dia, dando preferência a frutas de baixo a moderado índice glicêmico, como: pêra, maça, melão, kiwi, morango, cereja, laranja lima, maracujá, ameixa fresca, pêssego, goiaba, mas sempre como complemento de alguma refeição rica em hortaliças cruas ou que tenha alto conteúdo de fibras. Outra sugestão é comer junto um fruto seco como castanhas ou nozes;
  • Beber diariamente até cerca de 35ml de água para cada quilo de peso, por exemplo. Se seu peso é 65kg, 35ml x 65 = 2,3L. A água é fundamental para o equilíbrio orgânico, mas não precisamos nos encharcar! Além disso, urinar demais elimina nutrientes hidrossolúveis, tais como vitaminas do complexo B e vitamina C, além de potássio, magnésio, e outros minerais.
  • Aumente sua ingestão de fibras, através de alimentos integrais (arroz, quinoa, amaranto, pães ricos em fibras e preferencialmente sem adição de açúcares) ou grãos como feijão, lentilha e grão de bico, além de vegetais como quiabo, inhame e couve;
  • Reduza ao máximo o consumo de frituras, açúcares, doces e guloseimas em geral, refrigerantes, alimentos processados (especialmente embutidos como salsicha, salame e lingüiça e frios como presunto, peito de peru…) e bebidas alcoólicas;
  • Use azeite de oliva para temperar saladas (os extravirgens são prensados no frio e perdem sabor ao serem aquecidos). Para o preparo das refeições, opte por um azeite de oliva comum, mas sempre em pequenas quantidades. Afinal, mesmo sendo gordura do bem, consumi-la em excesso faz mal!
  • Se consumir laticínios, escolher preferencialmente os semidesnatados, desnatados ou 0% de gorduras e sem adição de açúcares. Quanto aos queijos, os mais magros são cottage e ricota. Os queijos de búfala tem a vantagem de possuírem menores quantidades de sódio, o que é importantíssimo para os que, além de obesos e diabéticos, tem hipertensão arterial.

Predisposições genéticas à parte, pode-se deflagrar o diabetes em qualquer idade pelas 3 piores escolhas: engordar, não fazer exercícios e/ou alimentar-se mal. Que tal melhorar suas escolhas?